YARA ~~~ filha das águas ~~~

Blog EntryUm amaranhado de idéias atrasadasMay 15, '08 12:06 AM
for everyone
Terça-feira, 13 de Maio de 2008...

São 120 anos de "Abolição da Escravatura", a partir da tal "Lei Áurea" e, ainda assim, somos o último país a fazer a abolição da escravatura. Refeltindo sobre temas tão contundentes como Liberdade, Escolha, Princípio e Condição... peguei-me pensando em como é natural a demora sempre após uma mudança brusca, para que sejam feitas todas as mudanças necessárias... OK! Só que, no Brasil (e por extensão, em nós) eis aí um problema: ate hoje não acabou (e, em nós, é mais difícil ainda de acabar).

Não quero aqui parecer radical a sair culpando apenas o Brasil, para a questão do Negro no Brasil, como se aqui o processo evolutivo do homem tivesse começado uma escala de retrocesso. Isto e um problema de vários países subdesenvolvidos atuais. E nem vou fazer uma condenação repressora de como o debate latente entre livre-arbítrio e condições reais de escolhas são questões alijadas, muitas vezes, de nossas avaliações morais; porque aí sim eu estaria sendo hipócrita (SIM! Já deu para perceber que este post vai balançar entre aspectos político-sociais e psíquicos-pessoais)

Nossa economia, nosso governo, nossa realidade... Esses são alguns dos bons motivos para que a escravidão atual ainda exista por aqui. Somos um pais ricamente agrário, o que já fornece um excelente painel para que a escravidão seja utilizada. Além disso, o nosso pais é um dos maiores do mundo em extensão territorial, o que facilita a ilegalidade do ato e dificulta a fiscalização efetiva. E eis aí, em quesito como trabalho, meios de produção (terras) e condição de subsistência (pobreza) é que a coisa parece ganhar forma.

Nossa poder aquisitivo, advindo de um meio onde a sustentação financeira vira sinônimo de liberdade (não falo em quem esbanja, mas em que consegue optar efetivamente por um rumo na vida, não tendo que ter este como um dos critérios de maior peso real); Uma sociedade onde, espertamente, nos doma frente aos seus preceitos imperativos: "_ Sua brasileiro e não desisto jamais!", "_ Quem acredita, sempre alcança!", "_ Com trabalho e dedicação, todos podem vencer na vida" e mais um monte de baboseiras mercadológicas que parecem sempre nos exigir, nos cobrar... Idade para estabilidade, Competências para oportunidades e mais e mais Atributos para atender todas as necessidades... E uma realidade cada vez mais cruel e desumano no trato com as pessoas, de fato, parecem ser mesmo "alguns bons motivos para que a escravidão (moral e pessoal) ainda exista por aqui."

E aqui, devo dizer que a reflexão veio assim, toda emaranhada, porque não consegui ficar indiferente a este artigo, sobre a atualdiade da escravidão no Brasil e no Mundo, e as reflexões inerentes ao meu Arcano VI, que fala sobre uma oportunidade de escolha. E aí, quando lembro de Páris, em meio ao Concurso de Beleza, tendo que escolher entre Atenas, Hera e Afrodites, ambas, esforçaram-se para influenciar sua decisão com um suborno... [Hera ofereceu-lhe poder sobre os reinos da Ásia, Atenas prometeu-lhe vitória em todas as batalhas e Afrodite ofereceu-lhe a mulher mais bonita do mundo] e Assim, sem hesitação, Páris decide por Afrodite, a Deusa que lhe aparece Seminua, em frente a um jovem garoto em plena puberdade e ainda, o amor de uma bela moprta... é que me pergunto: TEVE PÁRIS, REALMENTE A OPORTUNIDADE DE ESCOLHA?


Teve, os negros, uma chance real de ser livres?
Temos a gente, a oportunidade de escolhermos quando somos dotados de padrões morais e códigos éticos de conduta??

De novo, recaio sobre Satre, que diz: E agora, tendo provado do conhecimento do bem e do mal, enfrentamos, para todo o sempre, a responsabilidade da escolha moral. Já não somos capazes, como crianças obedientes, a permanecer seguramente dentro dos limites de um código superposto de ética. Estamos segundo Sartre, “condenados a ser livres”. Sem liberdade para escolher, não pode haver moral verdadeira. Enquanto a nossa obediência a um código moral for automática, não seremos livres. Enquanto nos recusarmos a virar-nos e a enfrentar nossos próprios diabos interiores – seja qual for a forma que possam assumir – não sermos humanos.



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