YARA ~~~ filha das águas ~~~

ReviewReviewConto: Hermes e o escultorMay 14, '08 11:04 PM
for everyone
Category:Books
Genre: Literature & Fiction
Author:João Luís Almeida Machado*
Um texto para se pensar sobre:
O NOSSO LUGAR NO MUNDO

Certa vez, Hermes quis saber qual o grau de estima que os homens lhe devotavam. Tomou a aparência de um mortal e foi ao ateliê de um escultor. Ao ver uma estátua de Zeus, perguntou:

- Quanto custa?
- Um dracma – respondeu o artesão

Hermes então sorriu e continuou a conversa:

- E aquela, de Hera?
- É mais cara.

Hermes avistou ao fundo sua própria estátua. Achava que por ser conhecido pelos homens como Deus do Comércio e Mensageiro dos Deuses, teria um preço mais alto do que o dos demais imortais que habitavam o Monte Olimpo. E então perguntou:

- E a estátua de Hermes, quanto custa?
- Se você comprar as outras duas pode levar a de Hermes de graça...

MORAL "besta" DA HISTÓRIA: Quem se acha mais importante que os outros acaba valendo menos do que espera.

E continua o autor.......... Apesar de ser um dos deuses do Olimpo grego, Hermes se parece muito com os seres humanos, reles mortais. Como tantas e tantas pessoas mundo afora, o mensageiro dos deuses se deixou levar pela soberba e se iludiu com a vaidade. Humildade não é adjetivo que possa ser encontrado nessa breve fábula que nos foi trazida graças ao gênio inventivo de um dos grandes contadores de história da humanidade, o fantástico Esopo.

Mas o que significa ser humilde? Não são poucas as pessoas que confundem essa qualidade essencial aos homens com a subserviência. Não, não estamos falando de pessoas que baixam as cabeças e abrem mão de sua altivez. Afinal de contas podemos ser humildes e manter a nossa cabeça erguida a despeito de nossas atitudes modestas e simples.

Humildade também não é sinônimo de fraqueza como tantos apregoam. O humilde é, sim, forte porque mantém sempre uma posição de respeito em relação aos demais sem abdicar de um tratamento igual como retorno por esse seu posicionamento justo e equilibrado.

A fala tranqüila e ponderada, com os olhos nos olhos dos interlocutores, sem a necessidade de alterar o tom de voz (para cima ou para baixo), utilizando palavras que denotem boa educação e apresentando idéias com base em argumentos seguros e sólidos são características inerentes às pessoas sensatas e que sabem qual é o seu lugar no mundo.

Quem pode duvidar disso tendo em vista exemplos como os de Gandhi, Madre Teresa de Calcutá, Dalai Lama ou São Francisco de Assis. Suas imagens e realizações são cultuadas até os dias de hoje mesmo não tendo sido esse o objetivo de suas existências.

Hermes, por outro lado, tão ávido estava por reconhecimento que hoje jaz praticamente esquecido nessa Terra...


*Editor do Portal Planeta Educação; Doutorando pela PUC-SP no programa Educação:Currículo; Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie-SP; Professor universitário e Pesquisador atuando no Centro Universitário Senac em Campos do Jordão


4 Comments
carolyara wrote on May 14
Bem, devo dizer que... só postei o conto pq - apesar de ter dado apenas duas estrelas - achei que o aspectos polêmico poderia despertar belos debates interessantes (mais rico, até, do que a visão segregária do autor).

Na minha avaliação, a coisa do Hermes como Arrogante é intrínseco a caracerística de Arauto e... se por um lado é uma consideração válidas a se pensar, por outro, vejo, sinto e percebo como um mal inveitável.

Afinal, na qualidade de mensageiro dos Deuses, a Hermes não lhe é dado muita opção de escolhar.
E aí, em sua genuína sina de ser o que é e fazer o que tem que ser feito, em muitos sentidos, acho que Ele acaba 'pagando um pato" que não é seu... Talvez por isso, de um lado, tenha a vertente de Hermes Malandro e Manipulador e, por outro, devasso e arrebatador.

Ócios de um ofício, certo?!?!?
blecaute wrote on May 14
Olha, esse "conto" de Hermes e o Escultor não é do "João Luís Almeida Machado", e sim uma das fábulas do grego Esopo. O doutor aí só comentou. Abraços...
carolyara wrote on May 15
SIM... o que está em autoria aqui é O ARTIGO DO professor, conforme especifiquei no texto.
E o próprio "autor" menciona a "composição original" como sendo do grego Esopo. Está logo no primeiro parágro do artigo, logo após a transcrição da fábula... vc reparou? (É pena que o Multiply não dê a opção de negritar esse espaço aqui, só blogs)... mas enfim, de qq forma, diga: o que achou desses aspectos do artigo e da fábulo de Esopo?????
filhotedelua wrote on May 15
então, a fábula per se tem muito a ver com a questão do trickster. Afinal, todo trickster tbm quebra a cara as vezes, a diferença é que ele ri sem medo de que ele mesmo apronte outra maior. Na verdade, se vc for capaz de enganar um trickster, ganha a amizade dele...

Agora o jeito que o cara falou eu não gosto não. Na minha opinião, ele não entendeu o sentido que eu vejo na fábula. Até porque, eu daria outra moral... uma que diz que quando estamos em família, pagamos sempre preços menores... rs . Mas principalmente, me incomoda um culkto a humildade a toda custa. Quando eu penso nos exemplos que ele deu, eu penso muito mais em nobreza e pureza de ideal do que humildade. Humildade é consequência de personalidade, não um ideal a ser almejado. Ao menos para mim, acho que humildade é necessária em alguns momentos, mas em outros atrapalha. É fácil que Gandhi, Madre Tereza, São Francisco ou o Dalai Lama sejam "humildes" (embora eu não ache o Lama humilde- o homem é uma sumidade, é genial, ele emana poder e controle de si, ele é simples não hhumilde). Aliás, todos os exemplos, são exemplos de simplicidade, não de humildade. Além do que, é fácil quando se vive fora do "sansara" diário, ficar sereno. Abdicar da vida comum, como todos esses exemplos fizeram, foi uma batalha pessoal, e duvido um pouco que quando Francisco era guerreiro ele fosse humilde... ele viveu o tempo da espada e isso permitiu que ele vivesse o tempo dos pássaros.

Eu acredito na santidade da guerra, ascredito no combate firme e contínuo da injustiça, e que a árvore da liberdade precisa ser regada com o sangue de tiranos e homens justos para florescer. Acho que esse é o tipo de texto que usam em dinâmicas no ambiente de trabalho com o objetivo de deixar todo mundo "no seu devido lugar", se sentindo culpadso quando quiser voar no pescoço do chefe.
Add a Comment
How would you rate this book? (optional)
   
© 2008 Multiply, Inc.    About · Blog · Terms · Privacy · Corp Info · Contact Us · Help