YARA ~~~ filha das águas ~~~

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ReviewReviewReviewReviewReviewOperário em ConstruçãoJul 5, '08 12:08 PM
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Category:Books
Genre: Literature & Fiction
Author:Vinícius de Morais
Uma poesia que me acompanha desde a adolescência e quem sempre, em tempos em tempos, volta a bater a minha porta, para me prestar um pouco mais esclarecimento sobre o despertar da consciência, o enfrentar da persistência e o renovar dessa "Construção"!!!!!

{Eu sei, gente... é meio grandinho, mas juro! Vale cada palavra... recomendo!!! A primeira vez que eu li eu demorei horas para conseguir terminar o poema - e com o gosto de entrar em contato com o livro, a página e o tátil - porque eu chorava compulsivamente e, em trechos e trechos eu tinha que parar para me recompor... Ora de emoção, ora de desolação, ora de supresa, era de tristeza... Um roda de sensações... hehehe}


Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade

Era a sua escravidão.
De fato, como podia
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia...
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse, eventualmente

Um operário em construção.
Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
— Garrafa, prato, facão —
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia

Exercer a profissão.
Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo

Coisa que fosse mais bela.
Foi dentro da compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele não cresceu em vão.
Pois além do que sabia
— Exercer a profissão —
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:

A dimensão da poesia.
E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.
E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não.
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:
Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.



E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte

Na sua resolução.
Como era de se esperar
As bocas da delação
Começaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão.
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação.
— “Convençam-no” do contrário — Disse ele sobre o operário

E ao dizer isso sorria.
Dia seguinte, o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu, por destinado
Sua primeira agressão.
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!
Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras se seguiram
Muitas outras seguirão.
Porém, por imprescindível
Ao edifício em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento

Da construção que crescia.
Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
— Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher.
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.
Disse, e fitou o operário
Que olhava e que refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria.
O operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro de seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.

E o operário disse: Não!
— Loucura! — Gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
— Mentira! — disse o operário

Não podes dar-me o que é meu.
E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
Um silêncio de prisão
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Como o medo em solidão
Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão.
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão.
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.


ReviewReviewReviewReversos e DesejosMay 9, '08 2:04 PM
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Category:Books
Genre: Biographies & Memoirs
Author:Pedro A. Nicoletti
Minhas primeiras impressões com o tema DESEJO (tb tão central no Arcano dos Enamorados, qto a questão da dúvida e da escolha), o qual, fiz questão em postar nesse pedaço aqui, dedicado a resenhas... pq é de um "Author" tão literariamente humano, que me fez pensar é ínfima (e até tola) que separa Drummond de Nós, assim... de modo grosseiro e até segregário mesmo.

Ok... preâmbulos a parte... a questão é que, esse poema eu achei naquele site [www.jornaldapoesia.com.br] e é de um "alguém virtual", quem eu simplesmente desconheço origem e procedência... mas que, ao cair googlenianamente em seu site... li isso aqui e resplandeci... pelo belo starting na reflexão de um tema, tão complicado e ao mesmo gostoso de sentir...

Reversos e Desejos

Desejamos o que é proibido,
queremos o que não se pode ter,
esperando que houvesse acontecido,
sempre remoendo o que poderia ser…

Acordado durante a noite,
eu busco entender,
porque sou tão indeciso?
porque não faço acontecer?

Como um navio naufragando
sinto-me pesado e sem ar
meus pés vão afundando
nesse imenso mar de pesar…

Mas então percebo que
é bobagem ficar assim a remoer
uma situção que não existe
e que jamais vai retroceder.

Pedro A. Nicoletti
Visitem: http://jornaldapoesia.wordpress.com/2008/04/13/esse-e-meu

PS: Atenção a sensibilidade da foto... tb foi escolha de publicação dele... :c)


ReviewReviewReviewReviewReviewO AlquimistaApr 19, '08 5:40 PM
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Category:Books
Genre: Religion & Spirituality
Author:Sim, apesar de tudo, é ele: Paulo Coelho
"O Alquimista pegou um livro que alguém na caravana havia trazido. Enquanto folheava suas páginas, encontrou uma história sobre Narciso. O alquimista conhecia a lenda de narciso, um rapaz que todos os dias se debruçava na margem de um lafo para contemplar sua própria beleza. Era tão fascinado por si mesmo que certa manhã, caiu no lago e morreu afogado. No lugar onde caiu, um flor surgiu, que a chamaram de Narciso.

Mas não era assim que o autor do livro terminava a lenda. Ele dizia que, quando Narciso morreu, vieram as deusas do bosque e viram o lago, que antes era de água doce, transformado num lago de lágrimas salgadas (PS: sempre eu em meus temas de encontro das águas... doces com as salgadas... Salve Minhas Mãe D'águas, rss).

_ Por que você chora? - perguntaram as deusas.
_ Choro por Narciso - respondeu o lago.
_ Ah, não nos espanta que você chore por Narciso - disseram elas. _Afinal de contas, apesar de sempre corrermos atrás dele pelo bosque, você era o único que contemplava de perto sua beleza.
_ Mas Narciso era belo? - perguntou o lago.
_ Quem melhor do que você poderia saber disso? - disseram, supresas, as deusas _ Afinal de contas, era nas suas margens que ele debruçava-se todos os dias para contemplar-se!

O lago ficou quieto por algum tempo. Por fim, disse:
_ Choro por Narciso, mas jamais notei que Narciso era belo. Choro porque, todas as vezes que ele se debruçava sobre minhas margens, eu podia ver, no fundo dos seus olhos, a minha própria beleza refletida.

"Que bela história", pensou o Alquimista."
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História transcrita na snopse na contracapa do livro, "O Alquimista" conta a trajetoria de um jovem pastor que, certa noite, tem um sonho repetido: fala de um tesouro oculto, guardado perto das Pirâmides do Egito. O rapaz resolve seguir seu sonho e, assim, defronta-se com os grandes mistérios que acompanham o Homem desde o começo dos tempos: os sinais de Deus, a Lenda Pessoal que cada um de nós precisa viver, a misteriosa Alma do Mundo, onde qualquer pessoa pode penetrar se ouvir o próprio coração...

Um livro simbólico, um trabalho bonito que - independente do autor, já que eu, particularmente falando, não tenho predileções pelos textos do Paulo Coelho - para quem quiser experimentar um novo paradigma sobre "A Arte Sagrada", tem aí um prato cheio de um novo sabor sobre como ver e perceber o mundo a sua volta.

Recomendo!


ReviewDE PERNAS PRO ARMar 28, '08 8:56 AM
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Category:Books
Genre: Other
Author:Eduardo Galeano
Pois é... estava escrevendo sobre hábitos e sobre aprendizagem aqui, para uma amiga do Multiply, e simplesmente experimentei bem aquele trechinho da música Índios, do Legião Urbana "sentir essa saudade que eu sinto de tudo que eu ainda não vi"...

Há algum tempo, ganhei esse livro e este mesmo tanto de tempo, o coitado ficou encostado na minha estante. Assim foi até hoje... Sem querer, descobri que uma das frases que eu mais gosto desse autor (sim, eu já li muitos livros dele, mas não sei pq este, propriamente dito, eu ainda não li) é justamente desse livro....

E mais!!! Descobri que o contexto em que ela está inserida é incrivelmente maravilhoso. E veio ao encontro das minhas reflexões a Paulo Freire e sua Pedagogia do Oprimido.

Pois bem... senhoras e senhores, com vocês... um pedacinho de um livro que eu ainda vou julgar com poucas estrelas pq eu ainda não li... e assim que eu ler... analiso com mais propriedade.

“A natureza se realiza em movimento e também nós, seus filhos, que somos o que somos e ao mesmo tempo somos o que fazemos para mudar o que somos. Como dizia Paulo Freire, o educador que morreu aprendendo: “Somos andando”. A verdade está na viagem, não no porto. Não há mais verdade do que a busca da verdade. Estamos condenados ao crime? (...) Viva onde viva, viva como viva, viva quando viva, cada pessoa contém muitas pessoas possíveis e é o sistema de poder, que nada tem de eterno, que a cada dia convida para entrar em cena nossos habitantes mais safados, enquanto impede que os outros cresçam e os proíbe de aparecer. Embora estejamos malfeitos, ainda não estamos terminados; e é a aventura de mudar e de mudarmos que faz com que valha a pena esta piscadela que somos na história do universo, este fugaz calorzinho entre dois gelos”.


Blog EntryPOEMA PARA A FILHA DA ÁGUAFeb 15, '08 1:09 AM
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Teatro do Incêndio
Segunda-feira, 9 de Julho de 2007



Na ponta da praia surgem na primeira grama de areia
Os pés serenos de uma juventude alheia e ... abrangente.
A Yara da pedra e dos peixes e das frestas
Fresca folha orvalhada de sal.
Seus cabelos em ondas Suecas desenterram
Antigas queixas e me mergulham olhos brilhos pele
Sentada clara e quase real.
Vou telegrafar uma mensagem, sou muito telepata;
Dizer bem baixinho se posso ligar hoje
Para o telefone que você anotou no papelzinho.
Talvez você atenda com uma tiara de pétalas
Cercada de bichos silvestres num vestido de voil sem dó.
Vou encomendar flores virtuais
Para jogar pra você quando tiver voltado para o mar.
Vou pensar em você todo dia quando a tardinha for rezar
Para a Mãe D'água te devolver em seis meses.
Oxum, Senhora, faz calma nos cursos dela e cuida de mim silencioso
[nessas margens.
Protetora, permita paz nessa nova alvorada
Despeja fria sua nascente em meu peito pequeno e magro;
Mãe dela, cerca sua vida de sorrisos finos.
Porém muito respeitosos. Outra mãe sentou Sibila pela terra...

Vou pensar mil vezes em me afogar
Cada vez que a vida me deixar cansado
E eu entrar em desespero de te encontrar.
Poderia ser um dia como agora,
Esta noite longa de chuva luminosa estelar.
Mas falta um número no seu endereço;
Não sei em que praia de que mar.

Postado por Marcelo Marcus Fonseca às 04:08 

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